Então eles também morrem?

Desde o momento em que inspirei ar pela primeira vez neste mundo tresloucado de meu Deus as coisas são assim: no domingo há Domigão do Faustão, Gugu e Silvio Santos. A Xuxa é a rainha dos baixinhos e a Hebe tem um programa no ar todas as segundas (dia em que também passa a Tela Quente). Todos os dias, a noite, a Globo transmite três novelas e o Cid Moreira é o dono daquela voz grave do Fantástico. A rainha Elizabeth II já era a figura máxima da monarquia inglesa enquanto o Michel Jackson e Madonna formavam o "casal" mais poderoso da música mundial. Sim, da música mundial! Ultrapassa o limite de 'rei' e 'rainha' do Pop, uma vez que em nenhum outro estilo houve alguém que os superasse em vendagem de discos, top de sucessos, vendagem de ingressos para os seus shows e pesquisas no Google.


As duas maiores estrelas da música mundial: Madonna e Michael Jackson

E aí, de repente, o Michael Jackson morre! Sem anúncio, sem doença, sem nada. Puft! Morreu. Pega o mundo de surpresa, às vésperas de uma turnê de 50 shows em que o mundo voltaria a testemunhar quem era a figura estranha, branca, com um nariz polêmico, mas, ao mesmo tempo, o fenômeno capaz de vender 750 milhões de cópias de um disco (número que NUNCA MAIS NENHUM CANTOR OU BANDA CONSEGUIU OU CONSEGUIRÁ) e se manter nas paradas de sucesso durante 37 semanas consecutivas. Quando fiquei sabendo, claro, pensei que era mentira! Vírus na internet, marketing, bug no sistema, sonho, engano...Até o momento em que vi que todos os principais meios de notícia cobriam, com o mesmo circo de sempre, a morte do astro.

Sempre torci muito pela sua "volta". Torci mesmo! Não por ser fã alucinado pelo pseudo-branquelo. Não! Aliás, eu penso que gostar do Michael Jackson não é uma questão de ser fã: é orgânico. Transmitido de mãe para o filho, quase como uma característica adquirida. É quase unânime.
Não me importo com as bizarrices noticiadas, mas nunca confirmadas sobre ele. Tudo muito especulativo, apavorado, grande. Mentira ou não, tenho esta opinião: Jackson estava acima de todos os rótulos dados a ele: bicha, pedófilo, estranho, fresco, polêmico, o escambau! Michael era o Michael Jackson e ponto. Ele era o seu próprio adjetivo, seu próprio rótulo.
Estranho. Parece que a ordem do mundo foi alterada, que falta alguma coisa e não adianta achar que este vazio será preenchido. O mundo que eu conheço, definitivamente, não é mais aquele que me foi apresentado. E que eles, os citados no ínicio desta postagem, um dia também não existirão mais. Não é uma questão de sentir falta ou não: é que eu me acomodei com a minha velha "primeira vista". E, talvez, por isso, é difícil acreditar que o Michael Jackson se foi. Nunca mais o Billie Jean será cantado e dançado tão bem. Tão pouco Black or White, Thriller, Bad, Scream...



Fala que o cara não era genial?

Tá, quem nunca ensaiou uns passinhos "Billie Jean"?

Sábado, 27 de Junho de 2009

Mal de escritor

Eles estão se amando alucinadamente. Beijos, carinhos, suor e palavras sussurradas ao pé do ouvido.
De repente, com um arranque, ele para.
-- O que foi?
Ele apenas faz um gesto para ela calar-se. Fecha os olhos fortemente e, num instante depois, sem dizer uma palavra salta de cima dela e corre pra sala.
Ela não entende. Aguarda que ele volte.
Três minutos... Cinco minutos...
Ela se enrola no lençol e vai atrás dele.
-- O que foi? -- pergunta ela.
-- Tive uma ideia. -- responde ele.
-- Mas e nós dois?
-- Eu já havia acabado.
-- O que?
Ele, em desgrudar os olhos do computador:
-- Me satisfiz!
-- Eu não acredito que estou ouvindo isto. - diz ela, incrédula.
E ele, sem desgrudar os olhos da tela:
-- Você também já teve o que é seu por direito. E mais de uma vez.
-- Você não está fazendo isso comigo assim...
-- Amor, é uma ideia...
-- Seu escritor fracassado de uma figa! Lixo!
-- Não fala assim. Eu precisava... a ideia é ótima, olha...
Ela não se atenta a explicação dele. Dá as costas e sai.
A porta bate lá dentro.
Ele olha pra direção que ela seguiu, mas logo retoma a página em branco, no computador. Volta a digitar freneticamente.
Para um instante e exclama com um suspiro:
-- Mulher insaciável!


Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Fica a dica

Como pode, meu Deus, o Gram acabar e o NX0 continuar aí até hoje?





O Gram é uma daquelas descobertas dos dias em que o pulsar do coração não se contenta com as canções de todo dia. A pasta estava aqui, intocável no meu computador. A gravei por gula. A vi no pen drive de um amigo, copiei cá, no meu computador,mas a preguiça de escutar algo novo era maior. Por isso nunca havia escutado. Até que...

...Até que escutei SONHO BOM e pronto! Mais uma música para compor a minha trilha sonora DAS MELHORES MÚSICAS DA VIDA DO RAYSNER.

Gram? Mas que é GRAM?

Chama o Tio Google...

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Fragmento 01. Rascunho.

Escuro, ambiente frio, cama macia, alguma música bonita tocando e dois corpos.
E eis que se deu um rompimento.
Se a eternidade fosse uma dor ela seria esta que ela acaba de sentir. De repente, não houve música, não houve cama macia e tão pouco ambiente frio. Não houve nada: nem ar, nem visão, paladar ou pensamento. Só dor. Os olhos foram fechados com tanta força que, num instante seguinte, ao abrí-los, não conseguiu distinguir imagem alguma. Apenas uma luz branca intensa. Não era tola para pensar que estava no céu, mas será mesmo que não estava? Não, não estava. Não era hora para pensar nisto. Aliás, a hora era de pensar em nada. Somente sentir aquela dor que foi passando aos poucos, assim como sua cegueira repentina.
E eis que rolou uma lágrima.
Se a eternidade tivesse um gosto este seria salgado como a lágrima dela. Não era de alegria ou de tristeza. Rolou incoscientemente, e não conseguiu deslizar por toda a face. Ele lhe beijou o rosto, salpicando os lábios com aquela porção Liquída salgada. No instante seguinte, sorriram. Se a eternidade fosse uma imagem, esta seria aquele sorisso dela, naquele momento.

Estava feita a passagem.


Domingo, 14 de Junho de 2009

Processo

Tenho personalidades variadas enfiadas na cabeça. Hora ou outra elas se cruzam, trocam gentilezas e põem o assunto em dia. Elas confidenciam entre si o que vem aprontando com o meu Eu enquanto estão no controle.
Dia desses se deu este diálogo:
-- E o teatro?
--Tudo em construção! Texto, figurino, cenário. Nunca pensei que um texto meu de três páginas pudesse render tanto, mas vem rendendo.
E do resultado deste rendimento ganhei o direito de divulgar um curto trecho.
Segredo entre nós, hem!



GAIA FOGE NUM SALTO. O LUGAR QUE CHEGA É DESCONHECIDO A ELA.
SAPIENS, GATUNO. SEMPRE GALANTEADOR, POMPOSO, ROMÂNTICO. GAIA COMEÇA A CENA INFLEXÍVEL, MAS DEIXA-SE LEVAR PELO ENCANTAMENTO.
SAPIENS:
Perdida?
GAIA:
Não há placas na Via... /
SAPIENS:
Uma donzela não deveria correr por estas bandas. Há escuridão! Há perigo!
GAIA:
Não tenho medo.
SAPIENS:
(IRÔNICO) Ora, que valente! (MUDA O TOM) Para onde corria?
GAIA:
Para o nada!
SAPIENS:
E sabe onde é que ele fica?
GAIA:
Não sei. Mas trato de achar...
SAPIENS:
Pois eu venho de lá. Do nada. Posso mostrar-lhe o caminho, se quiser!
GAIA:
Não preciso.

SAPIENS:
Só queria ajudar.
GAIA:
(para si)
Preciso voltar...
SAPIENS:
Para onde?
GAIA:
Para a Via... /
SAPIENS:
Via?
GAIA:
Sabe onde fica?
SAPIENS:
Claro que sei. De tudo sei um pouco. Mas não estava indo para o nada?
GAIA:
Mudei de idéia! Agora, me aponte o caminho da Via!
SAPIENS:
O que ganho em troca?
GAIA:
Sabe com quem está tratando?
SAPIENS:
Não me interessa com quem. Interessa-me o que eu irei ganhar...
GAIA:
Atrevido!
SAPIENS:
Esperto.
GAIA:
Por bem deveria me levar neste momento, sem mais delongas...
SAPIENS:
Mas nem se fosse mais bonita. A senhorita é quem está perdida.
GAIA:
Não estou perdida! Apenas quero companhia para retornar à Via.

SAPIENS:
A Via, reduto do Grande Rei luminoso. Sabe... Sempre quis conhecê-lo.
GAIA:
O Grande Rei?
SAPIENS:
Não. A Via!
GAIA:
Ora. E porque não o faz? Não sabe como chegar lá?
SAPIENS:
Tenho meus motivos.
GAIA:
Não deve passar de um medroso.
SAPIENS:
Fiquei sabendo que por lá há uma princesa...
GAIA:
É?
SAPIENS:
Sim. Uma princesa linda.
GAIA:
Não a conhece?
SAPIENS:
Meus olhos não são dignos de enxergarem tão nobre beleza. (CONFESSANDO) Dizem que ela é irresistível a qualquer coração. Por mais duro que ele seja, se apaixona!
GAIA SE DERRETE.
SAPIENS:
Mas seria ela mais bonita do que você? Creio não ser possível.
GAIA:
Pela luz do meu pai!
SAPIENS:
O que se passa?
GAIA:
Não sei. É estranho!
SAPIENS:
Sente-se mal?
GAIA:
Bem como nunca. Tenho que ir.
SAPIENS:
Não sabe o caminho!
GAIA:
Encontro.
SAPIENS:
Posso visitá-la?
GAIA:
Não sabe onde eu moro.
SAPIENS:
Eu trato de encontrar.
GAIA:
Por que?
SAPIENS:
Por que o que?
GAIA:
Pra que quer me visitar?
SAPIENS:
Não sei. (TEMPO) É estranho!
GAIA:
Você é engraçado. Vai me visitar?
SAPIENS:
Não sei onde você mora!
GAIA:
Encontra!
SAPIENS:
Há algo acontecendo comigo.
GAIA:
Onde?
SAPIENS:
Aqui.
GAIA:
O que é?
SAPIENS:
Não sei. Dói quando você diz que vai.
GAIA:
Pare de delongas.
SAPIENS:
Não brinco. É sério.
GAIA:
Onde dói?
SAPIENS:
(aponta o coração)
Aqui!
GAIA:
(se aproximando)
Aqui?
SAPIENS:
Acho que vou morrer.
GAIA:
Não pode!
SAPIENS:
Por quê?
GAIA:
Por que pergunta tanto?
SAPIENS:
Tenho sede de saber.
GAIA:
Parou de doer?
SAPIENS:
Quando você se aproximou, acelerou!
GAIA:
O que será isso?
SAPIENS:
Não sei. Há qualquer coisa muito estranha acontecendo...
D' PAULA, Raysner. Princesa Gaia. 2009. Em processo.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Eu não conto carneirinho



Ufa. deitei. Daqui a pouco já é hora de acordar. Meu Deus, quase não tenho dormido. Ah! Mas no segundo semestre eu tiro este atraso! Vou dormir todos os dias assim que eu chegar da faculdade. Não vai ter mais o CEFET pra me prender até as dez e meia da noite e... Que alívio! Tá acabando já! Preciso dormir. Devia ter secado este cabelo direito. Preciso cortar este cabelo. Nossa! Tanta coisa. Que dia eu vou cortar este cabelo? Sábado? Tenho que mandar um e-mail para as meninas do grupo para sábado não ter ensaio. Sábado não, domingo! É dia das mães, domingo. Não comprei nada pra minha mãe. Ai, meu Deus, que falta de dinheiro. Preciso receber logo. Puta que pariu, que dia que eu vou receber? Ah, que vontade de esguelar! Tenho que pagar meu pai, a Alice, a Taynara, a Gaybis. Pra amanhã eu tenho dinheiro? Tenho. Tenho que dormir. Este caroço na minha cabeça não me deixa deitar direito. Que que será isso? Furúnculo. É isso! Eu estou com um furúnculo na cabeça. Li no Google. Se eu falar isso com a Carol ela vai ter um troço. Ao invés de ir ao médico, joguei no Google. Ah! Mas pode ser que eles tenham razão. Todos os trabalhos que tiro do Google estão corretos. Tem trabalho pra semana que vem. Como é que eu vou dividir. Putz grila! Coisa demais. Saudade dos meus treze anos, que eu chegava da escola,almoçava e dormia. Os cachorrinhos estão chorando. Será que tá frio lá na casinha? Mas que merda! O Randyner não cuida de nada direito. Tenho que dormir. Dormir. Fechar o olho. NÃO CONSIGO. Tenho prova amanhã. Tenho que estudar. Que merda, estudar pra outro curso nada a ver. Prova! Prova! Será que o povo só conhece este método de avaliação? A constituição brasileira diz que um cidadão não pode produzir prova contra ele mesmo, não é? Os pais lá da Nardoni foram protegidos por isso. Eles foram protegidos? Ai, fodas! Mas não pode, pode? A gente não pode produzir prova contra nós mesmos. Logo, é inconstitucional eu fazer uma prova que prove coisas contra mim (que eu não estudei, que eu sou preguiçoso, que eu não faço revisão). Estarei eu produzindo provas contra mim mesmo, não? É ilegal fazer prova de matéria que eu não estudei. Isso é genial ou idiota? Se for genial, coloco no blog. Tempão que eu não escrevo no blog. Fico só no Orkut. Tenho que sair do Orkut e ler os livros da faculdade...Os cachorrinhos...os livros...a chita dançando 'extravassa'...a minha professora de improvisação me esnobando, dizendo que eu sou ruim...Ela não disse isso...ela achou engraçada minha improvisação. Ufa! Consegui fazê-la rir...Claro! Eu estava sonhando e no meu sonho ela me esnobou. Estaria eu dando uma de perseguido? Eu sou neurótico. Eu estava dormindo. Merda! (Força pra dormir de novo)...Os livros... a Mariana Muniz... tem workshop...amanhã é dia das... eu...que porra, comprei nada pra minha...tenho prova...dormir...dormi.

Domingo, 10 de Maio de 2009

Pronto, falei.

Eu costumava ficar eufórico, ansioso e cheio de expectativas nestes dias próximos ao meu aniversário. Quando principiava março, lé estava eu, contando os dias, rezando para que abril chegasse logo e dia sete amanhecesse. Mal dormia na noite de seis para sete. Ficava vidrado no relógio digital, para testemunhar os primeios segundos do dia em que eu, por estar enjoado de tanto escuro e ninguém para conversar, escolhi para conhecer a loucura do mundo. Era eu quem escolhia o prato do dia, era paparicado e, mesmo demonstrando uma pseudo-irritação quando acontecia eu achava um máximo ser sujado por ovos e farinha. Na escola, no final da aula, minha classe me brindava com um 'parabéns-pra-você' coletivo e a tia me dava um estalado beijo na bochecha. Logo em seguida, ela arrancava do mural (que ficava do lado esquerdo do quadro negro) uma maçã, onde caprichosamente estava escrito - RAYSNER . 07/04.

Falta pouco para a data e, confesso, estou sim ansioso. Tenho pavor de vésperas e por isso fico neste estado melancólico, no qual crio expectativas que sei que serão frustradas.

Mas que pessimista este menino! Não, não sou. É a lei do jogo e eu já as conheço.

Neste ano, por causa do movimento diário, turbulento e desgastante que venho fazendo, não poderei escolher o prato do dia e tão pouco ganharei beijo estalado da professora. Mas, com toda certeza, ficarei de olhos atentos ao relógio para testemunhar a virada do dia 6 para o dia 7. Há coisas que, mesmo com 19 anos, não mudam. Não mesmo.

Sábado, 4 de Abril de 2009

27 de março - Dia MUNDIAL do TEATRO

"O teatro revive dos atores, do tablado, do público e de uma paixão entre eles. E eu amo os atores, atrizes e o público por este poder. E quero morrer neste palco, onde se dá essa viva alquimia. E peço mais. Quando meu corpo descer a terra, minha alma não suba aos céus. Fique aqui, perambulando por essas cortinas, sentado em uma dessas cadeiras, fazendo estalar o assoalho quando meu espírito passar sobre ele até o final dos tempos. E no fim do fim, meu Deus, que eu saia daqui direto para o seu seio. Se é que estando no palco, já não estarei nele."

Grupo Galpão - BH - Espetáculo "Um trem chamado desejo"
***
Teatro: Aprecie!

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

 
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